O câncer de esôfago se destaca como uma das formas mais agressivas de neoplasia, apresentando um desafiador prognóstico, especialmente quando diagnosticado em estágios avançados que afetam a região local. O tratamento tradicionalmente envolve uma fase perioperatória que combina quimioterapia e/ou radioterapia juntamente com a cirurgia. Entretanto, nos anos recentes, a inclusão da imunoterapia a esses protocolos trouxe resultados promissores, oferecendo novas perspectivas de tratamento e renovando esperanças aos pacientes.
A Evolução do Tratamento Perioperatório
O tratamento do câncer de esôfago em estágios mais críticos historicamente se apoiou na quimiorradioterapia antes do procedimento cirúrgico. Essa abordagem visa especialmente reduzir a dimensão do tumor, aumentando assim a probabilidade de um êxito completo na retirada. A quimioterapia e radioterapia combinadas, conforme estabelecido pelo estudo conhecido como CROSS, tornaram-se a norma, evidenciando uma melhora significativa na taxa de sobrevivência quando comparadas à cirurgia isolada.
A Introdução da Imunoterapia
A imunoterapia, cujo propósito é ativar o sistema imunológico para que este perceba e elimine as células cancerígenas, apresentou-se como uma estratégia revolucionária em vários tipos de câncer. No caso do câncer de esôfago, agentes como o nivolumabe, reconhecido como um inibidor de PD-1, começaram a integrar o tratamento perioperatório. A pesquisa CheckMate 648 investigou a combinação de nivolumabe com a quimioterapia tradicional composta por cisplatina e 5-fluorouracil em pacientes com carcinoma avançado de células escamosas no esôfago. Os achados apontaram para uma considerável melhora na taxa de sobrevivência, com uma mediana de 15,4 meses no grupo que recebeu a combinação, contra 9,1 meses naqueles submetidos apenas à quimioterapia.
Combinação de Quimioterapia e Imunoterapia no Período Perioperatório
A fusão da imunoterapia ao tratamento perioperatório tem sido um foco central de estudos recentes. O ensaio clínico MATTERHORN explorou a adição de durvalumabe, um inibidor de PD-L1, ao protocolo FLOT (composto por 5-fluorouracil, leucovorin, oxaliplatina e docetaxel) para pacientes com adenocarcinoma gástrico ou na junção esofagogástrica que poderiam ser operados. Os resultados preliminares dessa investigação indicaram um aumento na sobrevivência sem eventos e uma taxa de resposta patológica completa mais elevada. Em novembro de 2025, essa combinação foi oficialmente aprovada pela FDA para uso no período perioperatório, reforçando a importância da imunoterapia nesse cenário.
Desafios e Perspectivas Futuras
Apesar dos avanços, os desafios na adoção da imunoterapia para o tratamento perioperatório do câncer de esôfago são significativos. A escolha criteriosa dos pacientes, baseada em marcadores biológicos como a expressão de PD-L1 e instabilidade de microssatélites, é vital para otimizar os efeitos positivos. Ademais, a gestão de efeitos colaterais e a formulação de esquemas terapêuticos ideais ainda demandam pesquisas adicionais.
No estudo NIVOPOSTOP, apresentado na ASCO 2025, foi analisado o impacto de incluir o nivolumabe na sequência de radioterapia e quimioterapia pós-cirúrgica em pacientes com câncer de esôfago. Os dados revelaram uma redução de 26% no risco de recorrência da doença ou morte, quando comparado ao tratamento convencional, sugerindo que a imunoterapia também pode ser fundamental no cuidado adjuvante.
Conclusão
A combinação inovadora de imunoterapia e quimioterapia no tratamento perioperatório do câncer de esôfago simboliza um significativo avanço médico, proporcionando melhores resultados clínicos e novas perspectivas para os doentes. A investigação contínua e o desenvolvimento de tratamentos personalizados são fundamentais para refinar essas abordagens e firmar a imunoterapia como um elemento essencial no enfrentamento dessa condição complexa.