Trombose e câncer: sinais de alerta de coágulos durante o tratamento

Trombose e câncer: sinais de alerta de coágulos durante o tratamento

Pessoas com câncer têm mais chance de formar coágulos nas veias, quadro chamado de trombose. Na maioria das vezes, o coágulo surge em uma perna, mas ele pode se soltar e chegar aos pulmões, o que é uma emergência. A relação entre trombose e câncer é bem conhecida, e reconhecer os sinais de alerta cedo faz diferença. Além disso, existem medidas simples que ajudam a reduzir o risco, sempre em conjunto com a equipe que acompanha o tratamento.

O que é trombose

A trombose venosa acontece quando um coágulo de sangue se forma dentro de uma veia e bloqueia, total ou parcialmente, a circulação. O tipo mais comum é a trombose venosa profunda, que atinge principalmente as veias das pernas, mas também pode ocorrer nos braços.

O maior risco é a embolia pulmonar. Nessa situação, parte do coágulo se solta, viaja pela corrente sanguínea e se aloja nos vasos do pulmão. Por isso, a trombose sempre merece avaliação rápida.

Por que trombose e câncer andam juntos

Em primeiro lugar, o próprio tumor pode deixar o sangue mais propenso a coagular. Além disso, o tratamento e as condições do paciente também contribuem.

Os números sobre trombose e câncer mostram o tamanho do problema. Um estudo publicado na revista Blood, que acompanhou cerca de 499 mil pessoas na Dinamarca, mostrou que o risco de trombose em pacientes com câncer foi cerca de nove vezes maior que na população geral. Segundo a Sociedade Americana do Câncer, aproximadamente 1 em cada 10 pessoas com câncer terá um coágulo. A mesma entidade aponta os coágulos como a segunda principal causa de morte nesses pacientes.

Trombose e câncer: fatores que aumentam o risco

No entanto, nem todos os pacientes têm o mesmo risco. Alguns fatores pesam mais:

  • Tipo de tumor: segundo um estudo publicado na PLoS Medicine, os cânceres de pâncreas, cérebro e pulmão estão entre os de maior risco. Os tumores de estômago também se destacam.
  • Doença avançada: a presença de metástases aumenta a chance de trombose.
  • Primeiros meses após o diagnóstico: é o período em que o risco costuma ser mais alto.
  • Quimioterapia e alguns tratamentos hormonais.
  • Cirurgias e internações.
  • Cateter venoso central, usado para aplicar medicamentos.
  • Pouca movimentação, como passar muito tempo deitado ou sentado, inclusive em viagens longas.

Se você tem câncer de pâncreas, por exemplo, vale conhecer melhor a doença e o acompanhamento; veja o que é o câncer de pâncreas, seus sintomas e o tratamento.

Trombose e câncer: sinais de alerta nas pernas ou nos braços

Em geral, a trombose venosa profunda dá sinais em um só membro. Fique atento a:

  • inchaço em uma perna ou em um braço;
  • dor ou sensibilidade, sem ter sofrido pancada;
  • pele mais quente na região;
  • vermelhidão ou mudança de cor da pele.

Portanto, não ignore esses sintomas nem tente tratá-los por conta própria. Afinal, o diagnóstico precisa de avaliação médica e, muitas vezes, de um exame de ultrassom.

Sinais de embolia pulmonar: procure atendimento imediato

Por outro lado, a embolia pulmonar é uma emergência e pode colocar a vida em risco. Procure um pronto-socorro imediatamente se surgir:

  1. falta de ar repentina ou dificuldade para respirar;
  2. dor no peito, principalmente se piorar ao respirar fundo ou tossir;
  3. tosse com sangue;
  4. coração acelerado ou batimentos irregulares.

Trombose e câncer: como reduzir o risco

Felizmente, algumas atitudes ajudam a prevenir a formação de coágulos:

  • Movimente-se: sempre que possível, levante-se e caminhe um pouco. Segundo a Sociedade Americana do Câncer, quem passa muito tempo sentado deve se levantar e se alongar a cada uma ou duas horas.
  • Mexa as pernas na cama: se não puder se levantar, movimente os pés, os tornozelos e os joelhos com frequência.
  • Cuidado em viagens longas: faça pausas e movimente as pernas.
  • Converse com a equipe: pergunte qual é o seu risco e se existe um plano de prevenção para o seu caso.

Em algumas situações, o médico pode indicar medicamentos para prevenir a trombose. Essa decisão é individualizada e considera o tipo de câncer, o tratamento e o risco de sangramento. Portanto, nunca use anticoagulantes por conta própria. A atividade física, quando liberada, também traz outros benefícios; saiba mais sobre a atividade física para pacientes oncológicos.

Tratamento: trombose e câncer ao mesmo tempo

Quando o médico confirma a trombose, o tratamento geralmente envolve anticoagulantes, medicamentos que impedem o crescimento do coágulo e ajudam o organismo a dissolvê-lo. A equipe escolhe o medicamento e o tempo de uso de acordo com cada paciente.

Em muitos casos, é possível manter o tratamento do câncer ao mesmo tempo. Por isso, o acompanhamento próximo entre o oncologista e os demais especialistas é fundamental.

Quando procurar atendimento médico

Procure a sua equipe ou um serviço de saúde se notar inchaço, dor ou vermelhidão em uma perna ou em um braço. Já em caso de falta de ar súbita, dor no peito ou tosse com sangue, vá imediatamente a um pronto-socorro e informe que está em tratamento de câncer.

Perguntas frequentes

Toda pessoa com câncer vai ter trombose?

Não. O risco é maior que na população geral, mas a maioria dos pacientes não terá um coágulo. Ainda assim, conhecer os sinais ajuda a agir rápido.

Ter trombose significa que o câncer piorou?

Não necessariamente. A trombose pode estar ligada ao tratamento, a uma cirurgia ou à falta de movimentação. A equipe avalia cada caso.

Posso fazer exercício durante o tratamento?

Na maioria dos casos, sim, e o movimento ajuda a prevenir coágulos. Converse com o seu médico sobre o tipo e a intensidade ideais para você.

Conclusão

A relação entre trombose e câncer é importante. Mesmo assim, informação e cuidado ajudam a reduzir o risco. Movimentar-se, conhecer os sinais de alerta e conversar com a equipe sobre prevenção fazem parte do tratamento. Diante de qualquer sintoma suspeito, procure atendimento sem demora.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta, o diagnóstico, os exames ou o acompanhamento individualizado com um profissional de saúde.

Dr. Rafael Onuki Sato — Oncologista | CRM-SP 127770 | RQE 102672

O que deseja encontrar?

Compartilhe